Salinas de Rio Maior

As Salinas, ou Marinhas de Sal, como também são conhecidas, distam 3 km de Rio Maior e encaixam-se num vale tifónico no sopé da Serra dos Candeeiros, rodeadas de arvoredo e terras de cultivo.
O conjunto apresenta-se como uma minúscula aldeia de ruas de pedra e casas de madeira, junto à qual se destacam uns curiosos tanques de formas e dimensões irregulares, que a partir da Primavera se enchem de água salgada dando origem a alvas pirâmides de sal.
O documento mais antigo que se conhece referente às Salinas data de 1177, mas pensa-se que o aproveitamento do sal-gema já seria feito desde a Pré-história.
A interrogação natural de quem visita o local é saber como, inesperadamente, a cerca de30 km do mar e ocultas pelas encostas circundantes, surgem as Salinas.

Uma das características mais marcantes desta região serrana é a facilidade com que as águas da chuva penetram por entre as falhas da rocha calcária, impedindo assim a presença visível de cursos de água, que se escondem, tornando-se subterrâneos.
Ora, uma destas correntes torna-se salgada ao atravessar uma jazida de sal-gema e alimenta o poço existente bem no centro das "Marinhas".
Esta Jazida de sal ocupa aproximadamente a área da Estremadura Portuguesa, entre Leiria e Torres Vedras e formou-se ao longo de milhões de anos.
A água salgada é retirada do poço através de uma moto-bomba que a conduz para a área dos concentrad
ores.
Os concentradores são oito tanques (5.000 m2), com capacidade para um milhão de litros de água, comunicantes entre si, através dos quais a água vai evaporando., sendo este um processo recente.
A água, já concentrada, volta à pia de distribuição, que se encontra junto ao poço e, daí, segue para os talhos através das sete regueiras.
O direito à água processa-se em função da proximidade do poço obedecendo a regras que nunca foram escritas e cujas origens se perdem no tempo.
A evaporação nos talhos dá-se em cerca de seis dias, o que significa que cada talho produz sal semanalmente.
O sal é rapado com pás de ferro (outrora com rodos de madeira) e posto na eira a secar durante 60 horas. Posteriormente é levado em carro-de-mão ou às costas, em sacas, até à máquina que o transporta para a cooperativa. Aí chegado, é pesado, armazenado e, mais tarde, embalado (sacos de 25 kg).
O sal-gema de Rio Maior é vendido para as indústrias de rações animais, curtumes, têxtil, panificadoras, restaurantes, refrigerantes e detergentes, entre outras. O sal é moído, ou não, de acordo com a indústria à qual se destina.
A maioria dos produtores de sal são agricultores, que se dedicam sazonalmente (Maio -Setembro) à produção de sal, sendo os lucros obtidos divididos a meias entre o proprietário do talho e o "marinheiro".
Em 1979 foi criada a Cooperativa dos Produtores de Sal de Rio Maior, para responder às necessidades de aumento da produtividade e da comercialização do sal.
Ao longo dos séculos os métodos de exploração pouco evoluíram, o que confere ao local a singularidade que o caracteriza. No entanto, as exigências da indústria moderna obrigam a um constante progresso e inovação das técnicas utilizadas pelos marinheiros. O desafio consiste na adaptação a uma economia competitiva e na conservação simultânea do tipicismo que distingue este património, que a todo o custo importa preservar.
Curiosidades |
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| Nº. de talhos | 470 |
| Dim. Média/talho | 35 a 50m2 |
| Área total | 27.000m2 |
PoÇo |
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| Profundidade | 8,95m |
| Diâmetro | 3,75m |
| 1 Litro de Água = | 220g sal (96% cloreto de sódio) |
| Produção Anual | 1500 toneladas |
